Milton Martins: "Acredito nessa mudança."

Acabo de retornar de uma longa viagem a serviço, nos Estados Unidos da América, um lugar para onde migram todas as interpretações culturais do mundo, desde os latinos aos mais conservadores religiosos do oriente. Por aqui, tomei conhecimento, pelas noticias veiculadas na internet, da transferência de local da realização do Encontro de Folguedos de Batalha. Acredito nessa mudança.

O Poder Público tem que motivar novos espaços. Os dois dos principais quadros de Batalha – idealizados por Antônio Guilherme Machado de Miranda em 1896, estão idosos demais. No quadro da Matriz, uma população muito idosa: das residências tradicionais, a de Sinhá Melo, Matilde e Conceição Machado, Elza Machado, dona Gracy, entremeada por personalidades ilustres – Carlos Magno de Almeida e Rubenita, Cristóvão Araújo, Fernandinho, Geraldo Vieira. O restante, comércio e a Casa Paroquial, além de Jacqueline, que mora no casarão de Machado Melo. No quadro da Sapucaieira, antigo Largo Padre Guimarães, o pessoal da família Fortes (seu João e dona Inês), do seu Zuza, de seu Dico, de seu Tony, do saudoso Domingos Cesário e de Quaresminha e dona Delzuíte.


A quadra da velha praça já estava carcomida e pequena. Alí, dos embates políticos das Oposições Batalhenses aos eventos mais tradicionais como a Feira do Município e o Encontro de Folguedos.

No entanto, uma palavra sobre os folguedos, que foram criados anos atrás pela Marluce Nunes, na antiga Quadra do Panorama, ali em frente ao prédio de três andares – único, até hoje, da cidade, e continuado, logo depois, pelas Professoras Matilde Machado, Leides Fortes, Socorro Rodrigues e Socorro Melo,  no “Gayoso e Almendra”, aproveitado na sequência pela Professora Maria Duarte Sobrinho – Maricota, no Conselheiro Saraiva, até se transformar nesse grande encontro assumido pelo Poder Público.

Ao longo de mais de duas décadas, muita concorrência e rivalidade. Boa. De enfrentamento. Mas sem nenhum tipo de arranhão que colocasse em risco a segurança das pessoas e o respeito entre as quadrilhas juninas.

Assisto, com bastante preocupação, esse acirramento de ânimos entre nossos jovens. O que podia ser uma forma de transmissão de cultura entre gerações e de total preservação de nossas raízes, pode se transformar num entrevero trágico se não tiver a intervenção do Poder Público.


Dar dinheiro, somente, para a produção, não é a solução. Se por outro lado não houver a conscientização do valor cultural e o apoio a todas as manifestações, estaremos fadados ao insucesso, ao retrocesso e à demonstração inequívoca da irresponsabilidade administrativa e da insensibilidade de fazer a coisa acontecer. Essa responsabilidade é do Poder público municipal. E dos membros das quadrilhas rivais.

Tá na hora do operante juiz Luiz de Moura chamar esse pessoal às favas da Lei. Ninguém pode fugir dela. Nem o Prefeito, nem o Príncipe. Nem o quadrilheiro. Nem aquele que dele quer tirar proveito.


Ah, e pedir uma prestação de contas desse dinheiro doado. É um bem público, e como tal, sujeito às normas impostas pelas leis.

Avante Batalha.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Belga de Esperantina: A história esquecida do Dr. Júlio Hartman

​História Oculta: O Discurso que Transformou uma Festa Política em Alforria no Interior do Piauí

119 Anos de Fé: A Fundação do Apostolado da Oração em Esperantina