Signo de Confronto entre branco e índio

Rio Longá - Foto: Everardo Torres

Segundo tradição local, o topônimo Batalha teve origem na luta travada entre os portugueses e os indígenas. Essas lutas prolongaram-se até o completo extermínio dos nativos.

Diante dessa informação pergunta-se: - Que grupo indígena habitava esse espaço? Que portugueses ocuparam o espaço em questão? Quanto e como se deu o processo de ocupação?

O questionamento leva à busca de outras informações e, ao levantamento de novas fontes de pesquisas.

O documento mais antigo que se dispõe no momento é uma carta geográfica do século XVIII. De acordo com esse documento, o espaço geográfico, hoje, da cidade de Batalha, era povoado por comunidades indígenas do grupo Tapuias. Entre eles estavam os Logás. Esses índios não eram selvagens como muita gente imagina. Normalmente viviam em paz. “Eram os pacíficos senhores das margens do rio Longá”, (Pe. Cláudio Melo, os primórdios da colonização, p.36). Somente quando sentiam-se ameaçados é que reagiam, principalmente quando a violência era contra suas mulheres e filhos, pois sabiam lutar para defender seus direitos.

Quanto aos “portugueses”, podemos informar que ali chegaram no século XVIII. Eram homens “brancos de olhos azuis”, descendentes de portugueses que aqui se estabeleceram na construção de sítios, criação de gado a posse da terra através da doação de sesmarias.

Esses homens eram descendentes dos Rego Castelo Branco e dos Carvalho de Almeida, nomes que, ligados ao governo português, trabalharam na expulsão e extermínio do nativo, não o considerando dono das terras.

Deste modo, entende-se que a tradição do nome “Batalha” representa, na verdade, a luta entre Logás, os verdadeiros donos das terras, e os “estrangeiros de olhos azuis” que, numa postura de dominação, aprisionaram o nativo para escravizá-lo ou comercializá-lo, chegando ao seu total extermínio e à posse de suas terras.

Batalha representa, assim, o signo de uma cidade que foi sede do confronto inicial entre o homem branco, criador de gado, e o indígena, tendo o primeiro se feito impor pelo poder político, econômico e das armas.

*Maria Cecília de Almeida Nunes(Professora de História e pesquisadora em História do Piauí).

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