Caminhos trilhados pelos colonizadores que chegaram à região de Batalha-PI

Mapa de 1760 de Henrique Gallucio com os caminhos do Piauí.

Os caminhos trilhados por uma gente foram sempre definidos pelos rumos que toma a sua história. No Piauí os rebanhos, as fazendas, o trem, os comboios, os carros, o telégrafo definiram os caminhos e os rumos da história em cada época.

Com a história do povo Batalhense isso não foi diferente. Também pode ser contada pelo significado de suas estradas, pela importância que tiveram ou têm os caminhos desse histórico município do norte do Piauí.

Quem observa o mapa atual percebe que a concentração de cidades e povoações do norte Piauiense está no lado oeste próximo ao rio Parnaíba e às ricas e férteis terras do vale do rio Longá. Essa região é a mesma que no século XVIII foi trilhada por missões e ocupada por famílias Portuguesas e por isso mesmo, não por uma coincidência, muitas dessas fazendas são atualmente cidades que ainda conservam o mesmo nome das antigas sesmarias como Batalha, Boa Esperança (Esperantina), Campo Largo, Madeiro, etc.

Mas como essas pessoas chegaram até esse território e fundaram essas fazendas? Será que vinham de forma aleatória pela mata desconhecida? É bem provável que não!

Conforme o primeiro mapa do século XVIII, os caminhos que chegavam à região de Batalha tinham como referencia dois importantes destinos: São Luís (MA), uma das mais importantes cidades do Norte do Brasil até o século XIX e Viçosa do Ceará que desde 1696 era uma das maiores missões religiosas do Brasil responsável pela difusão do Cristianismo no norte do Piauí, Ceará e Maranhão. E porque esse caminho passava pela região de Batalha? Não era mais prático ir do oceano direto para as terras de Viçosa?

A primeira resposta para isso está no fator natural. Lembremos que àquela época a navegação dependia exclusivamente das correntes marítimas e o sentido constante do vento de leste para oeste impedia o retorno das embarcações que aportavam em São Luís. Era preciso, então, abrir caminho por terra.

Mas vem uma segunda pergunta. Porque esse caminho não era feito pela costa litorânea. Ora, quem bem conhece a existência do Delta e dos Lençóis sabe que o ecossistema, embora seja rico e variado, não é capaz de sustentar com água e alimentos, missões de homens que deslocavam-se a pé em grandes distancias. Esses homens eram missionários e bandeirantes que buscavam a missão da Ibiapaba ou a partir de Camocim embarcavam de volta pra outras regiões do Brasil. Mais prático era então abrir o caminho por percursos que oferecem água e alimentos para que as pessoas suportassem o grande percurso de São Luís a Camocim que não era possível ser feito por via marítima.

Foi assim que acabou sendo aberto o caminho de São Luís à Viçosa do Ceará entrando pelo Rio Parnaíba e acompanhando o rio Longá até o seu encontro com o rio Piracuruca. O Rio Piracuruca era seguido até o alto da serra onde estava sediada a missão de São Francisco Xavier cujos padres foram os primeiros a chegarem nas terras do Longá abrindo caminho para a chegada das primeiras famílias como a de Antonio Carvalho de Almeida que veio com a esposa morar no Sítio Vitória atualmente no município de Batalha.

Depois de Antonio Carvalho de Almeida outras famílias continuaram a vir morar na região inclusive por seu intermédio. A chegada das famílias ia abrindo nova rota de ocupação e de contato com a Ibiapaba, São Luís e com a própria capital do Piauí depois da criação da Capitania em 1758, Oeiras(A). A outra opção de contato (B) servia mais para aproximar o norte e o sul Piauienses. Ao ligar a então vila de Piracuruca com Campo Maior também aproximava a região ocupada dos vales dos rios Piauí e Canindé com a Ibiapaba.

O sentido dos primeiros caminhos do Piauí que passam por Batalha e pelo vale do rio Longá é, portanto, uma estratégia de ocupação territorial que acompanha o rumo das terras férteis para a instalação de fazendas na região onde mais tarde nasceriam cidades como Batalha.

Como se percebe os principais caminhos que hoje chegam a Batalha não são desenhados no período colonial. Uma outra conjuntura histórica fará nascer novos percursos com outros significados e funções.

Texto: Cleiton Amaral Rodrigues – Historiador

Publicado no site Folha de Batalha em 12/08/2012

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