A "Sultana do Marathaoan" e o Eco da Liberdade: O Abolicionismo em Barras em 1884
No dia 25 de agosto de 1884, o periódico teresinense "O Telefone" trazia em suas páginas uma notícia que transbordava entusiasmo e civismo: a libertação de mais 22 pessoas escravizadas na Vila das Barras. O texto descreve a cidade com uma expressão hoje esquecida por muitos barrenses, chamando-a de "Sultana do Marathaoan", um título que evoca a majestade da cidade às margens de seu principal rio.
A Sociedade Libertadora Barrense
O evento, ocorrido em 1º de agosto daquele ano, foi organizado pela Sociedade Libertadora Barrense. Em um curto período de existência, esse grupo já havia alcançado a impressionante marca de 81 cartas de liberdade concedidas. O movimento em Barras não era isolado, mas destacava-se pela organização e pela adesão das famílias locais, que muitas vezes abriam mão da "propriedade" ou utilizavam o "cofre social" da sociedade para indenizar as alforrias.
O evento, ocorrido em 1º de agosto daquele ano, foi organizado pela Sociedade Libertadora Barrense. Em um curto período de existência, esse grupo já havia alcançado a impressionante marca de 81 cartas de liberdade concedidas. O movimento em Barras não era isolado, mas destacava-se pela organização e pela adesão das famílias locais, que muitas vezes abriam mão da "propriedade" ou utilizavam o "cofre social" da sociedade para indenizar as alforrias.
Protagonistas da História e da Genealogia
A ata da sessão, transcrita pelo jornal, é um documento precioso para quem estuda as famílias do Piauí. Entre os membros da diretoria e presentes, figuram nomes que ainda ressoam na genealogia da região:
- Sesostris José Corrêa (Vice-presidente).
- Martinho dos Santos Corrêa (1º Secretário).
- Francisco Marcellino de Carvalho (2º Secretário).
- Manoel Pires Ferreira (Procurador).
- Estevão Lopes Castello Branco e Tito Castello Branco.
- Francisco Borges Leal e Mergelino Borges Leal.
O Rosto da Liberdade
Mais do que nomes de autoridades, o jornal preservou o nome daqueles que, naquela data, deixaram de ser considerados cativos para se tornarem cidadãos. Entre as 22 pessoas libertadas, destacam-se:
Mais do que nomes de autoridades, o jornal preservou o nome daqueles que, naquela data, deixaram de ser considerados cativos para se tornarem cidadãos. Entre as 22 pessoas libertadas, destacam-se:
- Fortunato, liberto por Manoel da Mutta Pereira.
- Andresa, por D. Genoveva Victorina Castello Branco.
- Cassiana, por Antonio José Vaz.
- Adriana, Manoel e Carolina, por Mergelino Borges Leal.
- Maria Magdalena, Maria, Luzia, Ignez e João, por Frederico José Rodrigues.
Um Legado de Civismo
A cerimônia foi marcada por discursos e poesias, como a recitada pelo sócio Agostinho Basílio, celebrando o fim da "pesada cadeia da escravidão". Resgatar essa história e o termo "Sultana do Marathaoan" é mais do que um exercício de nostalgia; é reconhecer o papel de vanguarda que Barras desempenhou na luta abolicionista no Piauí, anos antes da Lei Áurea.
A cerimônia foi marcada por discursos e poesias, como a recitada pelo sócio Agostinho Basílio, celebrando o fim da "pesada cadeia da escravidão". Resgatar essa história e o termo "Sultana do Marathaoan" é mais do que um exercício de nostalgia; é reconhecer o papel de vanguarda que Barras desempenhou na luta abolicionista no Piauí, anos antes da Lei Áurea.

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