O Caminho das Águas: De Viçosa a Batalha, uma Promessa de 1900
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| (Imagem: Olho d'água do Brejo) |
Recentemente, encontrei um recorte de um periódico do governo do "Estado do Piauí", datado de 1900, que serve como prova documental dessa "Terra Prometida" que era a nossa Vila de Batalha. O texto é um retrato de uma época em que o município era visto como um gigante adormecido, dono de uma "força extraordinária" capaz de vencer qualquer seca.
O "Ouro Líquido" de Batalha
O cronista de 1900 descreve com deslumbramento os sítios de Brejos de Cima e de Baixo, além do São Lazaro. Segundo o relato, se ali fosse montada uma indústria de açúcar e aguardente, a produção seria suficiente para abastecer não só o nosso município, mas boa parte do Estado.
É fascinante notar a lista de nomes que ainda ecoam em nossa geografia: Salgadinho, Sizudo, Conservador, Anajá, Echú, Brejinho, Velho Barro, Galinhas, Aposento, Prazeres, Frecheiras, Quem Diria, São Domingos, Águas Livres, Boqueirão, Brasileira, Não Demore, Lagoa dos Amaros, Arayoses, Lagoa da Serra de Dentro... Lugares que abundavam em terrenos próprios para o plantio de cana e cereais, onde a natureza trabalhava com uma generosidade que hoje nos parece quase lenda.
A Fartura que o Tempo Esqueceu
O que mais chama a atenção no relato histórico é a descrição das frutas silvestres. O jornal narra que o Buriti, o Bacury, o Piqui, o Muricy e a Mangaba existiam em tal quantidade que "nem o povo nem os animais são suficientes para consumi-las". Perdia-se a maior parte da colheita por falta de processos de conservação da polpa e do óleo.
Mais de um século depois, ao relermos essas linhas, fica um misto de orgulho e melancolia. O informativo terminava com um alerta: a pecuária, nossa principal fonte de riqueza, tendia a desaparecer porque nem os fazendeiros nem o Governo procuravam meios de fazê-la prosperar.
Um Olhar para o Futuro
Ao cruzar a estrada que Cleiton Amaral tanto estudou, percebemos que o caminho da PI-213 não trouxe apenas os nossos antepassados; ele trouxe a responsabilidade de cuidar desse legado. O potencial que o periódico do governo do "Estado do Piauí" exaltava em 1900 ainda corre em nossas veias e em nossos riachos, esperando que a mesma coragem daqueles que vieram de Portugal e do Ceará se renove em nós para valorizarmos o que é nosso.
Batalha não é apenas um ponto no mapa; é o encontro da história com a abundância. Que as águas dos nossos "Brejos" continuem a banhar não só a terra, mas a nossa memória.
- Fonte Primária: Informativo do governo do "Estado do Piauí" edição de 1900.
- Referência Histórica: "Estação Longá", de Cleiton Amaral.

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