Na Capela da Batalha: Documentos de 1810 e 1813 Provam Sepultamento de Escravizados
Existe um mito muito difundido na memória local de que o interior das igrejas coloniais era um privilégio exclusivo dos brancos e das elites abastadas. Contudo, as folhas amareladas dos registros eclesiásticos do início do século XIX contam uma história bem diferente — e reveladora — sobre a nossa terra. Naquela época, Batalha ainda não era município, mas sim uma próspera povoação. Era na Capela de São Gonçalo que a comunidade se reunia para os sacramentos e para o último adeus aos seus entes. Documentos primários resgatados do Arquivo Paroquial trazem provas incontestáveis que desafiam a narrativa tradicional: Nicácio (1810): Escravo do Capitão José de Miranda, falecido a 7 de julho, cujo assento de óbito declara expressamente ter sido “sepultado na Capela da Batalha” pelo Padre Domingos Dias Pinheiro. Constantino (1813): Cativo pertencente a Albino Borges Leal, falecido em 27 de setembro, também registrado com sepultamento e encomenda no interior do mesmo templo sagrado...