Edmar: O Menino de Campo Maior que Uniu as Cores do Rivengo


A história do futebol piauiense na década de 1970 não pode ser contada sem mencionar a elegância e o vigor de Edmar Oliveira Pinto. Nascido em Campo Maior, em 12 de março de 1957, Edmar não foi apenas um atacante; foi um colecionador de títulos e um dos poucos personagens a transitar com maestria e respeito entre os polos magnéticos do Rivengo.

​O Batismo de Fogo: A Noite dos Seis Gols

​A trajetória de Edmar no maior clássico do estado começou sob a luz dos refletores do Albertão, em uma quarta-feira, 29 de junho de 1977. Era a decisão do segundo turno, e 12.798 espectadores testemunharam um dos confrontos mais frenéticos da história do clássico.

​Defendendo as cores do River, Edmar estreou em um empate épico de 3 a 3. Enquanto Sima, Nivaldo e Queirós garantiam os gols tricolores, o Flamengo respondia à altura com Zé Roberto, Décio Costa e Jorginho. Ali, naquele gramado conduzido pelo árbitro carioca José Marçal Filho, Edmar iniciava uma contagem que chegaria a 35 clássicos disputados.

​O Triunfo nos Dois Lados da Trincheira

​O peso histórico de Edmar reside na sua capacidade de ser campeão por onde passava. Sua galeria de troféus é um mapa da hegemonia do futebol piauiense da época:

  • Tiradentes (1975): O início de uma trajetória vencedora.
  • River (1977, 1978, 1980): Onde viveu sua fase mais prolífica no clássico, atuando em 27 jogos e conquistando três títulos estaduais ao lado de lendas como o goleiro Paulo Figueiredo, o volante Meinha e o eterno Sima.
  • Flamengo (1979): Mostrando que o talento não conhece fronteiras, cruzou a linha do clássico para erguer a taça pelo "Mais Querido", jogando ao lado de craques como Hindemburgo e Carlinhos Bacurau.

O Apito Final Prematuro

​Como acontece com muitos ídolos que brilham intensamente, a chama de Edmar apagou-se cedo demais. Em 26 de junho de 1986, aos 29 anos, um trágico acidente de trânsito em Teresina interrompeu a jornada do craque que havia conquistado o Piauí.

​Edmar Oliveira Pinto permanece na memória historiográfica do estado não apenas como um atleta vitorioso, mas como o símbolo de uma era de ouro no Albertão. Ele foi o atacante que, ao vestir tanto o tricolor quanto o rubro-negro, provou que o talento é a única linguagem capaz de pacificar a maior rivalidade do nosso futebol.

"Edmar não foi apenas um jogador de River ou Flamengo; ele foi um patrimônio do futebol piauiense, um vencedor nato que fez do Rivengo o seu palco principal."


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