O Guardião de 1973: A Saga de Dé nas Traves do Futebol Piauiense
Aquela rodada inicial do primeiro turno do Torneio Governador Alberto Silva não guardou o resultado que Dé desejava. O Esporte Clube Flamengo levou a melhor, vencendo por 2 a 1 com dois gols de Tião; Marinho descontou para o Tricolor. Mas o destino do arqueiro campinense em terras piauienses guardava muito mais do que a crônica daquele primeiro revés permitia enxergar.
O Redentor do Jejum Tricolor
O ano de 1973 avançou e guardou para Dé o passaporte para a imortalidade no seio do futebol piauiense. O River amargava um doloroso e incômodo jejum de nove anos sem erguer a taça do campeonato estadual. Cabia àquela mítica formação do "Eterno Campeão" dar um basta na longa espera da torcida.
A consagração veio na finalíssima, na "melhora de três" contra a fortíssima equipe do Tiradentes, o temido “Amarelão da PM”. Em um dos campeonatos mais empolgantes e eletrizantes de todos os tempos na história do Piauí, Dé cravou seu nome na galeria do clube tricolor. Naquela temporada, o guarda-metas Dé dividiu o campo com craques como Ozires, Luizinho, Gerson Andreoti, Chumbinho e Derivaldo.
A Consolidação e o Respeito nos Gramados
A trajetória de Dé no futebol local foi marcada pela regularidade e pela liderança. No ano seguinte, em 1974, o goleiro manteve o River no topo da competitividade, conquistando o vice-campeonato estadual. Sua qualidade técnica era tamanha que também vestiu a camisa do próprio rival, o Tiradentes, clube pelo qual disputou o Campeonato Brasileiro de 1973.
Ao longo de sua passagem pelo clássico mais tradicional do estado, Dé defendeu as metas em 14 Rivengos. Em uma época em que o clássico fervilhava e o equilíbrio imperava, o goleiro encerrou seu retrospecto com 3 vitórias, 7 empates e 4 derrotas, números que atestam a dureza dos combates que travou no Estádio Lindolfo Monteiro. Além do Piauí, o arqueiro emprestou seu talento a diversas outras praças esportivas, defendendo com brio grandes clubes do Nordeste.
O Apito Final
Em 28 de outubro de 2017, na mesma Campina Grande onde sua história começou, José Ferreira da Silva despediu-se da vida terrena. Dé partiu, mas deixou cravada na memória dos torcedores piauienses a imagem mítica do guardião que, com as mãos firmes e o coração valente, devolveu a alegria ao River e ajudou a escrever algumas das páginas mais bonitas da historiografia do nosso futebol.
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