Vidal: O Senhor das Laterais e o Equilíbrio dos Gigantes


O futebol piauiense possui capítulos que não se escrevem apenas com gols, mas com a solidez de quem domina os flancos do campo. Vidal de Sousa Lima, o eterno Vidal, foi o arquiteto de um feito raro: tornou-se unânime em um estado dividido por cores antagônicas. Nascido sob o sol de Teresina em 1955, ele não apenas jogou o RIVENGO; ele moldou a história do clássico durante duas décadas de ouro.

​O Batismo de Fogo (1972)

​A história de Vidal com o maior clássico do Piauí começou em uma quarta-feira, 29 de novembro de 1972. No solo sagrado do Estádio Lindolfo Monteiro, pela "Taça Renato de Sousa Lopes", um jovem lateral direito de apenas 17 anos estreava com a camisa do Flamengo. Naquela noite, sob o apito de Manoel Araújo, Vidal sentiu pela primeira vez o peso da rivalidade. O Flamengo venceu por 2 a 0, com gols de Eduardo e Reinaldo, mas o triunfo maior foi a revelação de um defensor que unia a combatividade da marcação ao brilho do apoio ofensivo.

​A Dinastia dos Títulos

​Vidal foi o "amuleto" e a segurança técnica das maiores potências da capital. Sua galeria de troféus é um mapa da hegemonia do futebol local:

  • 1976 (Flamengo): Ao lado de ícones como Vander e Décio Costa, Vidal foi peça fundamental na conquista rubro-negra.
  • 1978, 1980 e 1981 (River): No Galo, viveu seu ápice em volume de jogos. Em 1980, compôs uma "espinha dorsal" histórica com Duílio, Meinha e o lendário Sima.
  • 1983 (Auto Esporte): Provando que sua competência transcendia camisas, levou o Alviverde ao topo, novamente dividindo o campo com craques como Aníbal e Nivaldo.

​Os Números de um Colosso

​O livro RIVENGO imortaliza sua onipresença. Vidal atravessou o campo em 61 clássicos — uma marca para poucos.

​O Legado Eterno

​Vidal nos deixou em julho de 2022, mas sua sombra ainda percorre a linha de fundo do Lindolfo Monteiro e do Albertão. Ele foi o ponto de equilíbrio de times memoráveis e o pesadelo de pontas-esquerdas habilidosos.

​Falar de Vidal é falar de um Piauí que respirava futebol de domingo a domingo. É recordar o tempo em que os craques eram nossos, criados no calor de Teresina, e que, como Vidal, transformavam cada RIVENGO em um duelo de titãs. Ele permanece como a maior prova de que a técnica e a raça podem, sim, caminhar juntas em cima da linha lateral.

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