Da Colina ao Albertão: A Trajetória de Zada nos Rivengos de 1999
O crepúsculo da década de 1990 reservava para o futebol piauiense um de seus capítulos mais efervescentes. No dia 15 de maio de 1999, o Gigante da Redenção — o Estádio Albertão — abrigava quase 12 mil almas para testemunhar o segundo embate sazonal entre as forças antagônicas do River Atlético Clube e do Esporte Clube Flamengo. Era o primeiro turno do certame estadual, e a atmosfera carregava o peso histórico que apenas um "Rivengo" é capaz de sustentar.
A Ascensão de um Jovem Carioca
Neste cenário de alta voltagem, surgia a figura de Leonardo Martins Dinelli, o Zada. Natural do Rio de Janeiro e forjado nas fileiras do Vasco da Gama, o meia de 21 anos desembarcara em Teresina por empréstimo, buscando consolidar sua trajetória profissional. Naquela tarde de domingo, o destino o chamou ao campo: Zada substituiu Salomão, fazendo sua estreia oficial no maior clássico da região e sentindo, pela primeira vez, o calor da rivalidade piauiense.
Crônica de um Empate Feroz
O confronto transcorreu como uma autêntica batalha de desgaste e técnica. O placar de 3 a 3 reflete a alternância de domínio e a resiliência das equipes:
- Pelo Galo (River): Os tentos foram assinados por Salomão, Gleysson e Alessandro.
- Pelo Leão (Flamengo): A resposta veio com o faro de gol de Sérgio Luís (duas vezes) e André.
Contudo, a narrativa do jogo não se limitou às redes balançando. O rigor disciplinar imposto pelo árbitro Elizeu Lima da Silva — auxiliado por Antonio de Oliveira Macedo e Carlos Lustosa Filho — foi testado pela virulência das disputas. O segundo tempo tornou-se um palco de exclusões: aos 6 minutos, Déti (River) e Ricardo (Flamengo) foram expulsos após um entrevero físico; mais tarde, aos 28, Fabrício Carvalho deixou o River com um homem a menos por jogo brusco.
O Registro na Posteridade
Embora Zada tenha atuado em inúmeras partidas ao longo daquela temporada do Campeonato Piauiense, sua participação no maior clássico do estado foi cirúrgica. Conforme documentado na historiografia do Livro Rivengo, o atleta disputou exatamente dois clássicos em sua carreira: o empate memorável de maio e uma derrota subsequente.
Sua trajetória "da Colina ao Albertão" sintetiza a dinâmica dos empréstimos da época, mas, acima de tudo, imortaliza o nome de um jovem carioca nas páginas de um confronto que não aceita indiferença.

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