Capítulo 5: Urnas na Matriz e Votos do Além

Dentro da igreja, a mesa foi formada e o presidente anunciou a chamada dos eleitores. Foi nesse momento que o tenente de "diminuto bigode", futuro genro de Albino Leal, resolveu mostrar serviço. Munido de uma papelada de qualificações, ele perfilou-se, torceu o bigode, arregalou os olhos e tentou impugnar o voto de um cidadão por conta de um mero erro de grafia na ata (onde constava "Ferreira" em vez de "Pereira", ou vice-versa). A mesa, contudo, conhecia muito bem o votante e ignorou o protesto. Desmoralizados, o chefe Albino e seu genro pouco demoraram e abandonaram o recinto antes do fim do pleito.
Com a debandada e a fome que já havia afastado os poucos apoiadores da oposição, a contagem das cédulas foi um verdadeiro massacre político para o Partido Conservador. Na urna, restaram apenas minguadas 38 cédulas para o Partido Liberal.
O desespero da oposição era tão flagrante que o Sachristão da Matriz, ao conferir os votos para vereador, descobriu uma gafe histórica que virou piada na vila: os Liberais conseguiram a proeza de votar em Antonio José Vaz. O detalhe? O vereador Antonio José já havia falecido e estava sepultado dentro daquela mesmíssima Igreja Matriz desde janeiro de 1859! Nem os mortos escaparam da tentativa de salvar a chapa eleitoral.
Apesar de todas as bravatas, o pleito terminou "na paz do Senhor". Diante dos boatos de que Albino Leal tentaria denunciar os Tenentes-Coronéis Machado e Miranda ao Presidente da Província, o Sachristão deu de ombros em sua carta final ao jornal O Expectador, definindo a ameaça como mero "desabafo dos fracos". A Vila da Batalha seguia firme sob a liderança conservadora, e a torre da Matriz ganhava uma das crônicas mais deliciosas da sua história.
Fim da Série.
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