O Alvorecer da Vila: 7 de Setembro de 1858
| A imagem retrata a cena da Câmara Municipal, onde as autoridades locais se reúnem para a instalação. O Presidente da sessão (o Capitão Benício José de Morais ou o Alferes José Florindo de Castro, de acordo com as atas) está em destaque, segurando o juramento solene e a cópia da Lei Provincial nº 396. Os outros sete vereadores empossados estão sentados em torno da mesa de deliberação. No fundo, através de uma porta aberta e janelas, vemos o povoado reunido, com uma faixa celebrativa, testemunhando a transformação do Povoado da Batalha em Vila. |
Vindo de Piracuruca, o Capitão Benício José de Morais presidia a mesa instaladora, secretariado por Clarindo Lins Ribeiro. Cabia a ele a leitura oficial da citada Lei, que elevava a povoação à categoria de Vila e desmembrava seu território da antiga jurisdição. Diante das autoridades reunidas e de cidadãos que compareceram espontaneamente para testemunhar o momento, deu-se início ao juramento dos primeiros vereadores eleitos.
Um a um, sobre os Santos Evangelhos, os cidadãos convocados prestaram o solene compromisso de "promover quanto em si coubesse os meios de sustentar a felicidade pública". Entre os empossados — Antonio José Vaz, José Joaquim de Carvalho, Tiburcio Rodrigues de Carvalho, Joaquim Marcellino de Carvalho, Antonio Lopes de Miranda e Antonio Cardozo de Macêdo —, o destino reservou papel de liderança ao Alferes José Florindo de Castro. Sendo o edil mais votado no pleito, tomou assento na presidência da casa, tornando-se o primeiro chefe do Poder Legislativo batalhense.
Selado o ato de instalação com as devidas assinaturas e a formalização do primeiro secretário municipal, José Ferreira de Sampaio, o Alferes José Florindo de Castro não perdeu tempo. Naquela mesma data memorável, abriu a primeira sessão ordinária do município recém-nascido. Ciente do enorme desafio de estruturar uma vila a partir do zero, o novo Presidente pautou os primeiros passos urgentes da administração local: a contratação e fixação de salários para os funcionários da Câmara e a convocação dos pares para o dia 11 de setembro, quando dariam início ao feitio do primeiro Código de Posturas da Vila da Batalha.
Com a assinatura firme "Castro, Presidente" gravada ao final da ata lavrada pelo vereador e secretário ad hoc Tibúrcio Rodrigues de Carvalho, encerrava-se o ato festivo e começava a história autônoma de Batalha.
Nota: É importante destacar que, no período imperial (sob a Lei de 1º de outubro de 1828), não existia a figura do prefeito. A gestão municipal era colegiada, cabendo ao vereador mais votado presidir a Câmara e exercer a liderança política e administrativa do município.
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