Capítulo 3: A Guerra dos Foguetes e a Ostentação de Tropas

No século XIX, o prestígio de um partido político não era medido apenas por propostas, mas pelo tamanho do barulho e pela imponência das comitivas que cruzavam as ruas de terra. E no dia 6 de setembro de 1860, a Vila da Batalha testemunhou uma verdadeira demonstração de força e ostentação.

​Eram por volta das 5 horas da tarde quando o céu da vila foi cortado por estrondosas girândolas de foguetes. Era o sinal: o Partido Conservador fazia a sua entrada triunfal. Da torre da Igreja Matriz, o "Sachristão" observou, impressionado, o impressionante cortejo comandado pelo Tenente-Coronel José Amaro Machado. À frente marchavam as figuras mais proeminentes do partido, seguidas por um impressionante séquito de aproximadamente 300 eleitores perfeitamente montados a cavalo.

​A tropa conservadora deu uma vistosa passeata ao redor do quadro da vila, ecoando vivas ao dia 7 de Setembro (que se comemoraria no dia seguinte), ao Presidente da Província, ao Chefe de Polícia, ao Ministério e ao "Augusto Monarca", o Imperador Dom Pedro II. Tudo transcorreu na mais perfeita ordem antes de se recolherem aos seus quartéis.

​Pouco tempo depois, o silêncio foi quebrado novamente, mas de forma bem mais modesta. Dois tímidos foguetes subiram ao ar: era o aviso de chegada do Partido Liberal, liderado por Albino Borges Leal Júnior.

​Olhando lá de cima, o cronista não resistiu à ironia ao contar os integrantes da oposição. A comitiva rival resumia-se a minguadas 34 pessoas montadas a cavalo — e o Sachristão fez questão de alfinetar, notando que no meio deles vinha "inclusive um moleque no meio de uma carga".

"Estupefato, disse com os meus botões: — É esta a maioria deste Termo como diz o chefe do partido Liberal?!", debochou o olheiro em sua carta, antes de tocar o sino das Trindades e descer da torre para a noite que se iniciava. A diferença numérica era esmagadora, mas a oposição ainda tentaria fazer sua própria festa de uma maneira muito peculiar nos bastidores da vila...

No próximo capítulo...

​A política imperial também se fazia com festa, música e... estômago vazio. No próximo episódio, veremos o que aconteceu na madrugada que antecedeu o pleito e como a fome bateu na porta dos opositores. Não perca o Capítulo 4: Batuque, "Léléle" e Barriga Vazia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Belga de Esperantina: A história esquecida do Dr. Júlio Hartman

Batalha em luto: Cidade se despede do Sargento Cajura, exemplo de superação e serviço público

A Dinastia do Longá: O Legado Político e Territorial de Albino Borges Leal Júnior e Doroteia Henrique de Carvalho