Postagens

O Artista e o Rapto: O Amor de Mestre Fabiano nos Livros de Cartório

Imagem
Os arquivos cartorários guardam uma ironia sutil: enquanto as partituras musicais se perdem no sopro do vento e na poeira dos coretos, as linhas de chumbo e a tinta desbotada dos livros de registro civil imortalizam os dramas humanos mais profundos. Para quem reconstrói a historiografia da brava Batalha, as páginas número 7 e 8 do livro de matrimônios de 1911 a 1926 são um verdadeiro tesouro romanesco. Nelas, a data de 11 de abril de 1925 não registra apenas uma união civil, mas o ápice de um enredo de ousadia que desafiou os costumes e as barreiras sociais da Primeira República. ​Para este que vos escreve, debruçar-se sobre esse documento é também um reencontro com a própria herança familiar. O Juiz Distrital José Machado de Castro, que presidiu o ato, e a senhora Nize de Castro Machado, proprietária da casa que acolheu a cerimônia, eram primos legítimos de Antero de Castro Filho, meu avô. Cruzar esses fios da história me permite ver que os passos audaciosos de Mestre Fabiano e Dona ...

​O Sopro da Liberdade: Uma Linha do Tempo Musical de Batalha

Imagem
O silêncio nunca durou muito tempo nas calçadas da Vila da Batalha. Se os livros de história local por anos silenciaram sobre as origens da nossa música instrumental, os velhos papéis de imprensa cuidaram de guardar o rastro dos dobrados, das valsas e da altiveza daqueles que fizeram das notas musicais um hino de independência. ​ O Acorde Rebelde do Império (1870) ​Tudo começa em pleno Segundo Reinado. O ano era 1870, e o ambiente político, severo e centralizador. O poderoso chefe local, apelidado na imprensa de "Grão Senhor", tentou estender seus tentáculos de censura até o sagrado ritual de um batizado, pressionando os músicos da vila para que ficassem em silêncio. Mas a arte, por natureza, desobedece. Sob a batuta firme do Professor Pedro de Alcântara — a "banda de música", ainda sem nome oficial, mas já cheia de brio, marchou para dentro da igreja Matriz. Contar com a regência de uma autoridade musical vinda da capital era um luxo para a localidade. Eles toca...

SINDAF-PI convoca Assembleia Geral Ordinária para Eleição da Diretoria do Biênio 2026/2027

Imagem
O Sindicato dos Árbitros de Futebol Profissional do Estado do Piauí (SINDAF-PI) emitiu oficialmente um edital de convocação direcionado a todos os senhores árbitros profissionais filiados. O objetivo é a realização da Assembleia Geral Ordinária, que deliberará exclusivamente sobre a eleição da nova diretoria do sindicato e sua respectiva posse para a gestão do biênio 2026/2027. ​O evento acontecerá no dia 9 de julho de 2026 , nas dependências da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), localizada na Rua João Cabral, s/nº, no bairro Matinha, em Teresina. ​Horários Importantes das Convocações ​Para garantir a ampla participação e a legalidade do processo, o SINDAF-PI estabeleceu três chamadas consecutivas para o início dos trabalhos no dia da votação: ​ 1ª Convocação (18h00): Abertura com a presença da maioria absoluta dos associados. ​ 2ª Convocação (18h30): Início com a participação de pelo menos 1/3 (um terço) dos membros associados. ​ 3ª e Última Convocação (19h00): Início d...

​A Engrenagem, o Violão e o Altar: A Saga de Fausto Fortunato da Rocha e o Legado que Moldou Batalha

Imagem
Capítulo I: O Palhaço, o Relojoeiro e o Ritmo de uma Vila ​A história de Batalha guarda em suas engrenagens a memória de homens que traduziram a dureza da vida em arte. Em 1930, a poeira das estradas trouxe para a vila um jovem que trazia na bagagem o picadeiro e o mistério do tempo. Fausto Fortunato da Rocha, piauiense de Parnaíba, era filho de tabelião, mas trazia as mãos talhadas para outras escritas: a precisão dos ponteiros e o dedilhar das cordas. Cedo, rompeu com o destino burocrático das Letras para seguir o chamado do circo, dando vida ao Palhaço Rochinha. ​Quando o circo partiu de Batalha, Fausto decidiu ficar. O homem que fazia rir desceu do picadeiro para assumir a gravidade de uma profissão que exigia paciência cirúrgica: tornou-se o relojoeiro da cidade. De seus consertos de relógios de algibeira, parede e despertadores, nasceu o sustento para a numerosa prole de dez filhos, fruto de sua união duradoura com Altair Santos. ​Mais do que regular as horas dos cidadãos em s...

As Quatro Receitas do Médico dos Monomaníacos (Capítulo 4): Delírios na Praia e Bananas para o Padre

Imagem
Chegamos ao último capítulo da nossa série baseada na impagável crônica satírica de 25 de fevereiro de 1870 , resgatada das páginas do jornal O Piauhy: Orgão do Partido Conservador . ​Depois de testemunharmos o Capitão Antonio Narcizo Xavier Torres se envolver em calotes de éguas no interior, intimar advogados na calçada e peitar juízes por causa de um órfão , a "quarta e última receita" do nosso anônimo Médico dos Monomaníacos nos leva para longe dos limites da Vila da Batalha. Descobrimos que, quando o Capitão decidia viajar para espairecer, o rastro de polêmica viajava junto na bagagem. ​O cenário desta vez? O ano era 1868 , e o destino, o calor do litoral piauiense. ​A 4.ª Receita: Uma Confissão Inusitada na Amarração ​Buscando novos ares, o Capitão Torres viajou até a povoação da Amarração (o antigo território que hoje compreende a cidade litorânea de Luís Correia). No entanto, o clima de veraneio parece ter subido à cabeça do capitão de forma literal. ​De acordo ...

Batalha em luto: Cidade se despede do Sargento Cajura, exemplo de superação e serviço público

Imagem
A cidade de Batalha (PI) amanheceu mais triste nesta quinta-feira, 25 de junho. Faleceu, na manhã de hoje em Teresina, o militar reformado Raimundo Nonato da Silva Sousa , amplamente conhecido e carinhosamente chamado por todos como Sargento Cajura . ​Nascido em 9 de junho de 1963, Cajura tinha 63 anos. Segundo informações de amigos próximos, ele havia sido submetido a uma cirurgia cardíaca recentemente, mas acabou sofrendo complicações de saúde agravadas pela diabetes e outros fatores. ​A trajetória de Sargento Cajura é o reflexo de uma vida inteira dedicada ao serviço público, ao esporte e à comunidade batalhense. ​Da infância humilde à farda: Uma vida de superação ​Filho de uma família muito humilde, Cajura enfrentou uma infância marcada pela pobreza. No entanto, as dificuldades da época não o impediram de buscar um futuro melhor. Ele concluiu o ensino médio e, na primeira metade dos anos 1980, ingressou nos quadros da Briosa Polícia Militar do Estado do Piauí . ​Sua carreira n...

​O Apóstolo dos Operários: Fé, Dignidade e o Legado de Monsenhor Lotário Weber em Batalha

Imagem
Monsenhor Lotário Weber em clima descontraído ao lado de Everardo Torres, durante o almoço festivo no salão ao lado da pequena Capela do Residencial Vila Kolping. Batalha, 20 de abril de 2013. A história da historiografia piauiense é profundamente marcada por personagens que, cruzando oceanos, fincaram raízes tão profundas na terra que se tornaram parte indissociável de sua identidade. Entre esses nomes, destaca-se o de Monsenhor Lotário Weber — o eterno Padre Lotário —, cuja trajetória uniu a erudição acadêmica alemã ao trabalho braçal, pastoral e social nos sertões do Piauí. ​Passados onze anos de sua partida, e resgatando registros históricos preciosos, reconstrói-se o panorama de uma vida dedicada à transformação social e à dignidade humana na região de Batalha. ​Do Reno ao Parnaíba: O Chamado Missionário ​Nascido em Langenberg, Alemanha, no dia 3 de março de 1924, Lotário Weber iniciou seus estudos em sua terra natal. Homem de mente brilhante, ingressou no Seminário Maior de Bo...