O Artista e o Rapto: O Amor de Mestre Fabiano nos Livros de Cartório
Os arquivos cartorários guardam uma ironia sutil: enquanto as partituras musicais se perdem no sopro do vento e na poeira dos coretos, as linhas de chumbo e a tinta desbotada dos livros de registro civil imortalizam os dramas humanos mais profundos. Para quem reconstrói a historiografia da brava Batalha, as páginas número 7 e 8 do livro de matrimônios de 1911 a 1926 são um verdadeiro tesouro romanesco. Nelas, a data de 11 de abril de 1925 não registra apenas uma união civil, mas o ápice de um enredo de ousadia que desafiou os costumes e as barreiras sociais da Primeira República. Para este que vos escreve, debruçar-se sobre esse documento é também um reencontro com a própria herança familiar. O Juiz Distrital José Machado de Castro, que presidiu o ato, e a senhora Nize de Castro Machado, proprietária da casa que acolheu a cerimônia, eram primos legítimos de Antero de Castro Filho, meu avô. Cruzar esses fios da história me permite ver que os passos audaciosos de Mestre Fabiano e Dona ...